quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"Prata... receba meu recibo" - por Alexandra Alencar

Em meio à masturbação mental da academia, a porta da sala de aula se abre, mas mesmo antes do vibrar da maçaneta comecei a ouvir o sons conhecidos dos djembés que me convidavam a vim ver o mundo do lado de fora.
Após a explicação do movimento dos alunos por uma permanência digna na universidade, a aula se acabou e fomos pouco a pouco sendo conduzidos pelo movimento das pessoas  e pelo som dos tambores até a Reitoria.
Lá eram outros tambores que nos esperavam, o da bateria de escola de samba, composto em sua maioria por servidores grevistas.
Então todos unidos em uma massa desforme,ouvimos as falas dos representantes discentes, comemos a comida que tanto DCE, quanto Sintufsc estavam nos proporcionando gratuitamente.
No entanto, quando fui convocada para tirar meus recibos e colar na parede do prédio para que o reitor enxergasse o quanto é custoso uma permanência numa universidade sem restaurante universitário, sem biblioteca, sem os servidores para dar uma orientação, me dei conta de quanto às vezes naturalizamos o cotidiano e não olhamos reflexivamente a nossa volta. Colecionamos centenas, e há quem tenha milhares de cupons fiscais, recibos de uso de cartão de crédito, porque acreditamos que no futuro "ao ter um diploma" teremos uma vida melhor, mais conforto e moleza. Será que vale a pena construir esse futuro romântico sob o conformismo frente à falta de condições de permanência dentro das universidades públicas brasileiras? Para quem acha que ao menos questionar seja mais difícil, a saída é continuar ampliando sua coleção de recibos e esperar que algum dia alguém se interesse por ela.

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